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OLIVEIRA, Michele Pereira. www.educacaoeinclusao.blogspot.com
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segunda-feira, 30 de junho de 2008

O PSICOPEDAGOGO E A INCLUSÃO ESCOLAR





"Para entender é preciso esquecer quase tudo o que sabemos. A sabedoria precisa de esquecimento. Esquecer, é livrar-se dos jeitos de ser que se sedimentam em nós, e que nos levam a crer que as coisas têm de ser do jeito como são."
Rubem Alves.

“...onde houver o desafio do rapaz ou da moça em crescimento, que haja um adulto para aceitar o desafio.” (Winnicott)


Nos dias atuais, no mudo globalizado, e diante de todos os desafios por ele oferecidos, com a facilidade de se obter todas e quaisquer informações, a escola deixou de ser o principal agente da educação e passou a ser mais um dentre tantos outros veículos educacionais. Diante dessa nova e desafiadora realidade a escola tradicional se depara com a necessidade de questionar seus métodos e propostas curriculares, diante do novo perfil e das novas necessidades de seus alunos ante a globalização.

Diante dessa nova realidade que se apresenta face à escola alguns questionamentos são inevitáveis e afloram a cada momento.
O que ensinar? diante da nova realidade. Apenas os conteúdos ainda atendem as necessidades das crianças inseridas em um mundo altamente tecnológico? Como avaliar? Precisamos avaliar até mesmo nossas formas de conduzir nossa prática educacional. Quais os objetivos a serem atingidos? Os mesmo de uma década, ou um ano atrás? Os pontos antes assegurados pelo sistema, precisam ser questionados, revistos e reformulados. O sistema educacional tradicional de ensino ainda possui conservada uma grade curricular rígida de conteúdos programáticos quanto a desenvolvimento cognitivo, faixa etárias. Hoje, nos tempos atuais, diante dos anseios e da competitividade lançada pela globalização os conteúdos programáticos são suficientes? Atendem o processo evolutivo ao qual estamos inseridos?
Diante da necessidade da inclusão social de crianças portadoras de necessidades educacionais especiais, nos deparamos com uma realidade nova, porém necessária. Um novo desafio aos professores, aos pedagogos, aos psicopedagogos e a todo corpo escolar. Incluir é necessário, e diante da inclusão, questionamentos.
Como incluir? Como ajudar uma criança com necessidades educacionas especiais a se desenvolver intelectualmente dentro de suas limitações? E como fazer isso da melhor maneira? Como suprir minhas angústias diante desse “novo”?E se essa criança não estiver preparada minimamente? Devo transforma-la em um problema ou criar soluções para educa-la com a mesma dedicação que dispenso aos outros alunos?
Ao mesmo tempo que os questionamentos e as dúvidas surgem, devemos estar abertos a essa nova realidade e não nos omitir a ela por comodismo ou por medo ou pelo simples fato de não nos considerarmos preparados ou capazes para a inclusão.
Se o aluno com necessidades educacionais especiais não estiver preparado para o sistema escolar formal, e amparado por esse mesmo sistema que está obrigado legalmente a incluí-lo, ele não irá se sentir à vontade, acolhido, seguro ou protegido, e muitas vezes pode sofrer algum tipo de discriminação, e até mesmo a auto-discriminação.
A integração de alunos com necessidades educacionais especiais só se dará quando pensarmos um projeto educacional para cada criança em sua individualidade, respeitando e atendendo suas limitações. Essa adaptação dos projetos educacionais, vão desde a avaliação das competências, até uma reestruturação do projeto pedagógico da escola, perpassando inevitavelmente pelo preparo dos profissionais que se dedicarão a educação dessas crianças.
É de fundamental importância a adequação psicopedagógica às necessidades do seu público alvo, partindo do pressuposto que o psicopedagogo é a ponte que apoiará as crianças em suas angústias e os professores em seus sentimentos de impotência face às novas experiências que estará vivenciando.
É o psicopedagogo que intervirá quando a criança se deparar com suas limitações e se sentir frustrada com o não poder fazer isso ou aquilo, ou apenas o não conseguir executar imediatamente determinada tarefa, e trará à luz caminhos que os educadores deverão percorrer para ajudar, auxiliar e apoiar essa criança em seu desenvolvimento.
Quando uma criança dentro de uma escola se sentir excluída, necessitará ser vista com suas possibilidades, necessitará ser amparada por uma equipe multidisciplinar que esteja estruturada para ajuda-la em seu desenvolvimento tanto nas questões cognitivas, quanto nas questões sócio-afetivas.Essa criança necessita que o professor aceite e entenda suas dificuldades e não apenas o rotule, e que o faça sentir-se seguro, respeitado e que muito além disso que lhe esteja garantido que suas necessidades serão levadas em conta dentro do processo ensino-aprendizagem.
Rotular uma criança, pode ser a mais cruel forma de se omitir, e justificar nossa incapacidade e falta de compromisso ético e humanitário com a educação.
Uma criança com necessidades educacionais especiais pode voar tão alto quanto lhe dermos asas. Para tanto, é necessário um agente facilitador, uma ponte, que levará a inclusão social nas escolas, que irá articular a relação do sujeito com o grupo, e do grupo com esse sujeito, reforçando laços de respeito, de igualdade e de cooperação, que irá trabalhar em campo, as diversidades em toda a escola. Esse profissional deve estar comprometido com a educação, deve ser maduro profissionalmente o suficiente para identificar e desenvolver o melhor trabalho educacional face à inclusão social.
Saber lidar com as frustrações advindas das possibilidades de insucessos que forem surgindo pelo caminho é uma grande virtude profissional e diria até que podem ser transformadas em ferramentas, para o desenvolvimento de novas táticas, de novas práticas, de novas didáticas. Educar tem que ser isso, criar, criar o tempo todo em função de nossas crianças e em função dos desafios por elas apresentados.
O profissional da educação, portanto, deve ser apoiado, deve receber formação continuada, deve estar em comunhão com seu trabalho; mas não é agente solitário diante das novas expectativas que surgem da inclusão, todos s funcionários da escola precisam conhecer a realidade dos alunos para saber como educar, uma vez que a educação não está restringida a sala de aula e acontece à todo momento.
O psicopedagogo tem um papel importante nesse processo inclusivista, ele dará suporte à família que chega com sua criança e que precisa apoiá-la em seu crescimento, dará suporte e apoio ao professor em sua prática educacional direcionando o melhor e mais seguro caminho para se atingir o objetivo que é a aprendizagem.
Cada criança aprende em seu tempo e dentro das suas limitações, mas a prática educacional deve ser prazerosa o suficiente para despertar o interesse pelo desafio de aprender. Para que esse movimento se faça, é necessário atitudes éticas, compromisso com a aprendizagem, com a formação e re-significação do saber adquirido, dedicação e criatividade, e principalmente entender que cada sujeito é único, singular, que tem seu tempo e seu modo de aprender, e que portanto deve ser apoiado e respeitado em sua individualidade.
O movimento ensino-aprendizagem foca o aluno, e cada aluno é um caso, traz um histórico, uma realidade, está inserido em um meio e traz consigo expectativas e necessidades, diante disso, precisamos trabalhar o EU POSSO, EU CONSIGO, para atingirmos o EU APRENDO, uma vez que o professor é apenas um veículo transmissor e todo movimento de aprendizagem é único do aluno.
O processo inclusivo proporciona uma verdadeira relação do ensino-aprendizagem-superação. Uma relação complementar e dependente, que se percorre circularmente a cada instante, a cada movimento, a cada descoberta, a cada nova maneira de ensinar e de aprender, e o psicopedagogo é peça chave no sucesso dessa empreitada.
É preciso apoiar-se, não em estruturas fixas, estáticas, mas muito mais que isso, é preciso construir novas bases, novas formas de ensinar, e construir gradativamente, todos os dias. Só a partir dessa construção que não deve ser individual, mas grupal e contínua, que a inclusão acontecerá verdadeiramente na prática. Não devemos nos preocupar com o que dirão, mas com os resultados e com a luta pela cidadania.

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