Este blog é uma ferramenta indispensável para divulgar meu trabalho e para um enriquecimento dos que se dedicam a pesquisa em educação.

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OLIVEIRA, Michele Pereira. www.educacaoeinclusao.blogspot.com
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sexta-feira, 9 de maio de 2008

EDUCAÇÃO INCLUSIVA - UMA NECESSIDADE IMEDIATA


RESUMO

Este trabalho investiga uma questão bastante polêmica entre os educadores hoje em dia: a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. Desmistificar a inclusão nas escolas, torna-la acessível e possível a todos, enxerga-la como cotidiana, necessária, presente, e como uma questão de igualdade de direitos, uma vez que todos têm direitos iguais assegurados por lei, é um desafio da sociedade atual que busca tornar a sala de aula um ambiente prazeroso, dedicado à educação sem exclusão e isso é um dever e uma necessidade para a construção de uma sociedade justa e igualitária, onde a segregação não tem espaço. Incluir não é só um direito é uma necessidade social e um grande desafio para todos os educadores que se dedicam a educar sem distinção e com compromisso. Incluir é colocar os alunos frente a frente com uma realidade de diferenças mas de iguais direitos, é o que enfoca inicialmente este estudo, a seguir perpassa pelos desafios da inclusão social nos tempos de hoje, enfocando os papéis da escola, do professor e da família, e por fim os procedimentos didáticos a fim de facilitar a aprendizagem na educação inclusiva.

Palavras-chave: inclusão, educação inclusiva, aprendizagem, igualdade de direitos.
1- INTRODUÇÃO.

Incluir, antes de mais nada, é garantir a igualdade no sentido mais amplo da palavra, a todos, sem distinção de raça, de crença, de culturas, de deficiências.
No Brasil, cerca de 10% da população tem necessidades especiais, e mais da metade dos casos pode ser evitada com assistência médica adequada no pré-natal, no momento do parto, nas doenças infantis, em acidentes, etc. Todos, independentes de suas deficiências ou não, de suas necessidades especiais educacionais advindas de deficiências ou de problemas comportamentais ou relacionais tem direitos à educação garantidos por Lei.
É uma árdua batalha garantir que todos tenham direitos educacionais assegurados, que as escolas sejam adaptadas para receber e acolher a todos, que os professores recebam e acolham todos os alunos de sua classe como iguais, com a mesma dedicação, respeito e competência.
É a partir da inclusão social que se torna possível uma sociedade igualitária, justa, mais consciente de seus direitos e deveres.
Esse estudo é composto de 11 capítulos.O primeiro diz respeito da Educação Inclusiva, no segundo pretende-se mostrar que a inclusão é uma necessidade e um desafio,na seqüência, enfoca-se o papel da escola na educação, o professor na educação inclusiva, a escola e a inclusão, as principais características das escolas inclusivas, as atitudes inclusivas fundamentais em educação, o papel da família no processo inclusivo.
Prosseguindo, aborda-se sobre as atitudes inclusivas fundamentais em educação, a necessidade da inclusão para educar-se e finaliza mostrando como as brincadeiras e os jogos podem facilitar o processo de aprendizagem e inclusão em uma sala de aula.


2- CONCEITOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA.

A educação inclusiva tem como meta inserir pessoas com deficiência ou com distúrbio de aprendizagem nas instituições de ensino, preferencialmente na rede regular de ensino, abrangendo todos as suas modalidades, de acordo com a potencialidade máxima de ensino que o aluno especial poderá atingir. Na década de 90 houve o surgimento do movimento inclusivo na escola e a ampliação do acesso das pessoas com deficiências na rede regular de ensino, assegurado por leis como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 e a Constituição Federal de 1988 entre outras, estabelecendo o direito de acesso e a permanência no sistema de ensino de qualidade. Como destaca Mantoan (2003) a inclusão não ocorre apenas com a efetivação da matrícula de forma segmentada do ensino, abrangendo sua divisão na modalidade regular e especial, ocorrendo desta forma uma divisão da potencialidade de ensino-aprendizagem dos alunos, acarretando a exclusão dos alunos com deficiência e a ausência de sua inserção na rede regular de ensino de qualidade.
Sendo necessário reestruturar o sistema de ensino para que se possa efetivar a educação inclusiva, visando desta forma implementar medidas que assegurem a devida capacitação dos professores que irão desenvolver o processo e ensino-aprendizagem e o apoio técnico especializado na área de educação especial para a devida orientação dos professores, visando atingir o processo de ensino de forma satisfatória. Os conteúdos a serem abordados no currículo deverão ser os mesmos para os alunos portadores de necessidades especiais, mas deverão ser diferenciados os recursos didáticos e a metodologia que deverá ser empregada de acordo com as potencialidades apresentadas pelos alunos especiais, juntamente com a elaboração e analise das avaliações aplicadas a estes alunos. Possibilitando ao professor identificar as dificuldades existentes de cada aluno de forma particular, visando pesquisar e discutir de forma participativa, com todos os integrantes da escola, estratégias eficazes que possam amenizar as dificuldades apresentadas visando desenvolver a potencialidade do aluno.

O trabalho coletivo em sala de aula é extremamente importante para o processo de socialização dos alunos podendo desta forma trabalhar em grupo os conteúdos abordados em sala, de maneira a propiciar a interação dos alunos deficientes aos alunos sem deficiência, propiciando a trocar de conhecimento, as brincadeiras, a aceitação e a convivência natural, possibilitando sua integração plena no ensino regular.
O movimento nacional que visa a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na escola de ensino regular representa o compromisso e o cumprimento das Leis previstas na Constituição Federal que visam o princípio da igualdade de direitos e oportunidades educacionais para todos (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2006).
Desde a Constituição Federal de 1988 e durante a última década, nosso país registrou grandes avanços em relação à legislação, recomendações e diretrizes que asseguram os direitos sociais e a inclusão das pessoas com deficiência, na escola, no trabalho e na sociedade. Esses documentos, preconizam a inclusão, e propõem uma parceria onde a colaboração conjunta entre União, Estados e Municípios na implementação de ações intersetoriais que viabilizam uma educação voltada para o atendimento às necessidades educacionais especiais decorrentes ou não de deficiências fazem toda a diferença nos movimentos voltados à Inclusão Social e fortalecem os princípios da não segregação. Houve significativa evolução conceitual e recomendações aos sistemas de ensino para a necessidade de se organizarem, se estruturarem e elaborarem projetos pedagógicos que valorizem a participação efetiva da família, da comunidade escolar e das instituições especializadas para que atuam como suporte à escolarização realizadas pela rede regular de ensino a fim de que unindo forças e trabalhando conjuntamente, os resultados sejam otimizados (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2006).

3- INCLUIR – UMA NOVA NECESSIDADE E UM DESAFIO

Pela inclusão pode-se experimentar novas possibilidades que vão originar um conjunto de ações de inclusão, que podem ser impostas ou bem articuladas e trabalhadas, e que se originam de relações professor-aluno-cultura escolar, próprios do contexto educacional em que se vive e da sua realidade. Essa observação – análise e elaboração de estratégias próprias, de cada escola e de cada professor, a partir de sua realidade, de suas experiências, de sua formação e convicções transformam-se em saberes novos que irão auxiliar na construção de uma didática para o trabalho de inclusão. Não são saberes novos como se não existissem antes, o que é novo são as dimensões e conotações que assumem diante de uma realidade nova de inclusão.
A partir das novas características apontadas e de uma didática moldada no viés das necessidades inclusivas, os saberes que nascem da busca de incluir o aluno com deficiência, são saberes novos, construídos, dispersos, diferenciados, às vezes contraditórios, e que podem ser mais ou menos favorecedores de um desenvolvimento mais harmônico e com resultados mais positivos do educando .
Zaidan (2007), destaca alguns aspectos importantes que a análise dos novos saberes experienciais, construídos pelos professores engajados na prática da educação inclusiva, permite identificar:
Os saberes experienciais e uma nova cultura escolar com inclusão educacional, implica em uma organização mais articulada do trabalho docente, uma busca por novas práticas facilitadoras da aprendizagem e direcionadas a atender a realidade dos alunos inseridos em sua sala de aula, a convivência com a diversidade, a valorização da socialização e da igualdade e um ensino que se apresenta relacionado a outros conhecimentos.
Os saberes experienciais e a ética profissional, é a interação e envolvimento e comprometimento do professor, com contextos de inovação pedagógica, especialmente envolto em práticas sociais de inclusão das camadas populares à escolarização igualitária, é mais que aceitar as diversidades, é visualizar e tratar o aluno como sujeito social, que tem memória/história, que tem raça, sexo e cultura, diferenças e afinidades.
Os saberes experienciais e os demais saberes docentes. reconhecem que os saberes experienciais se relacionam com os demais saberes e proporcionam trocas enriquecedoras, e inter relacionam-se na prática. Reconhecem, ainda, que os saberes experienciais são como “filtros catalizadores” em relação aos demais saberes, na expressão prática e até oral dos docentes. (ZAIDAN, 2007)
No processo em que se vivencia uma proposta inclusiva de educação é possível se destacar que há uma nova abordagem educacional feita pelos professores que deve ser baseado na realidade de cada indivíduo, bem como na realidade social do aluno a ser incluído, o que sugere um ensino em movimento, que se transforma, e adapta-se de acordo com as necessidades que forem surgindo (ZAIDAN, 2007).
De acordo com Zaidan (2007), é portanto, essencial destacar que o professor precisa se sensibilizar, se preparar e ampliar o seu “olhar” sobre a educação e sobre o papel desta, a partir daí terá modificado o seu “lugar” na escola, deixando de ser um professor que somente, preocupa-se com as suas aulas e assume o lugar de um professor engajado numa realidade escolar, num projeto pedagógico educacional que é direito de todos.
De acordo com o Ministério da Educação (2006, p. 19) ...”é necessário que o projeto pedagógico envolva toda a comunidade escolar na discussão das necessidades, possibilidades e dificuldades do aluno e da escola, de forma a promover um ambiente que contemple os diferentes estilos de aprendizagem, interação e participação dos alunos.”
D’Ambrósio (1986) afirma que ensinar, em geral, é uma ação pedagógica que visa o aprimoramento, o aperfeiçoamento e o crescimento do binômio professor / aluno, mediante múltiplos enfoques, da ação de educar e ser educado, exercida no sistema educacional de maneira mais direta e característica, qual seja a forma por excelência dessa ação, isto é, o trabalho na sala de aula.
É através da educação que se atinge um aperfeiçoamento moral e político dos praticantes da ação (agente – professor e paciente – aluno), mediante o manejo de conhecimentos gerais. Moral e político no seu sentido mais amplo, encarando o homem na plenitude da ânsia de satisfação de suas questões internas e externas, como indivíduo ou como membro de um grupo social.
“.....É no processo de unir a realidade à ação que se insere o individuo”.(D’AMBRÓSIO, 1986, p.38).
À partir do movimento pela escola inclusiva, torna-se possível a construção de uma visão ampliada e humanista sobre a educação, e uma nova qualidade de formação dos educandos está sendo demandada na educação básica. Torna-se necessário que os conhecimentos sejam re-significados, significativos, desafiantes e inseridos nos processos de desenvolvimento e nos contextos individuais dos alunos, sejam eles crianças ou adolescentes.(ZAIDAN, 2007)
Barth (1993) destaca que, tradicionalmente, saber ensinar é saber expor conteúdos bem estruturados pelo professor.
Complementando, Fiorentini (1994, p.38) apresenta a idéia de que ”... por trás de cada modo de ensinar, esconde-se uma particular concepção de aprendizagem, de ensino e de educação”.
De acordo com D’Ambrósio (1986) para uma educação eficiente, deve o professor examinar seus objetivos a serem atingidos no período em que os alunos estão a ele confiados, e qual o método que será empregado para conduzir a prática pedagógica que ele adotará a fim de maximizar os resultados. O simples desfiar de um conteúdo não permitirá à prática pedagógica a dinâmica adequada para que se possa dizer que o processo ensino-aprendizagem se realizou plenamente uma vez que é preciso integrar nesse processo, conteúdos, objetivos e métodos às considerações de natureza sócio-cultural que estão permanentemente em jogo.
Para tanto, deve o professor ouvir mais, pois o aluno tem muito a dizer sobre suas expectativas e algumas resistências em expressar-se com relação a essas expectativas, por isso cabe ao professor reconhecer aí os grandes motivadores da presença do aluno na escola e melhor escolher os conteúdos que satisfaçam essas expectativas e naturalmente utilizar os métodos mais convenientes para conduzir a prática com relação a esses objetivos e os conteúdos adequados traduz o grande desafio do professor (D’AMBRÓSIO, 1986).
Tardif; Lessar e Lahayet (1991) afirmam que professor não é apenas um mero transmissor dos conhecimentos já constituídos, e o saber docente é um saber plural, vasto e em movimento e se compõe de vários saberes provenientes de diferentes fontes, de diferentes necessidades e realidades, apontando os saberes provenientes da experiência, que “... brotam da experiência e são por ela validados” (p.219-220). Os saberes experienciais, são vivenciados e adquiridos na prática docente diárias, atualizados e re-atualizados e não provêm das instituições de formação e nem do currículo. Não são teorias, são saberes práticos, vivenciados, aprendidos, transformados: adquiridos; e não da prática “...eles formam um conjunto de representações a partir das quais o(a)s professores(as) interpretam, compreendem e orientam sua profissão e sua prática cotidiana em todas as suas dimensões. Eles constituem, poder-se-ia dizer, a cultura docente em ação.” (p.228) Analisam os autores que os saberes experienciais são construídos a partir das vivências diárias de realidades diferentes e da tentativa própria do docente de enfrentar as limitações da prática e construir uma prática nova, baseada na vivência diária da sala de aula e que possibilitem uma maior grau de aprendizagem. Esses saberes constituem-se de práticas próprias e características de cada professor, marcada em seus estilos individuais de ensinar e que são traços de suas personalidades, que expressam, então um saber-ser e um saber-fazer pessoais e profissionais validados pelo trabalho cotidiano.
De acordo com Santos (1961); Iracema (2002), para melhorar o processo de aprendizagem, o professor deve:

- realizar o ensino, parte por parte, não passando adiante antes que os alunos assimilem e dominem as noções passadas e tenham auto confiança no aprendizado;
- motivar os alunos com situações problemas da vida cotidiana, relacionando-as com as necessidades e interesses das crianças;
- incluir jogos no processo de ensino, uma vez que os jogos são grandes auxiliares na prática escolar, mas nunca antes de passar o conteúdo e que esse esteja assimilado, uma vez que o jogo proporciona uma melhor fixação do conteúdo;
- insistir e se dedicar mais aos conteúdos com maior grau de dificuldade e investir nas dificuldades apresentadas em cada matéria a fim de esgotá-la ;
- lançar mão de recursos didáticos acessíveis e que tornem o processo de aprendizagem divertido, simplificado e acessível;
- identificar as dificuldades relacionadas com cada matéria e tentar trazê-las à luz da realidade com exemplos práticos e claros;
- estimular o raciocínio e o pensamento independentes;
- despertar a observação das crianças para coisas e formas que estão presentes em seu cotidiano e;

Para Sardella e Matta, (1985), o professor deve estimular, aguçar a curiosidade e o interesse do aluno, a fim de que ele explore novas idéias na busca e na e descoberta de novos caminhos.
Para Cristina (2007), a formação de professores precisa valorizar o estimulo a capacidade de pensar, refletir, aprender a aprender, relacionar o conhecimento com dados da experiência diária, estabelecer relação entre teoria e prática, fundamentando criticamente com base em fatos do cotidiano e transformar todo esse caldeirão de informações em uma prática diária que se torne acessível a todos a fim de minimizar os déficits de aprendizagem .

4- DO PAPEL DA ESCOLA NA EDUCAÇÃO

Conforme postula Oliveira (2002) o que a escola faz, de maneira essencial e fundamental, é aquilo que circula no seu interior, como sua atividade principal, como sua matéria-prima fundamental: “o currículo“ que deve ser seguido como base da construção das atividades a serem expostas em uma sala de aula.. O currículo é o instrumento através do qual a escola vai preparar o indivíduo para o exercício da cidadania.

O currículo por sua vez é o conjunto de conteúdos selecionados e organizados metodologicamente de tal forma que estejam adequados:

- à realidade social;
- à natureza dos conhecimentos;
- às necessidades e potencialidades dos alunos.

Cabe destacar que o cumprimento das necessidades educacionais está compreendida na divisão de currículos, assim, podemos distinguir entre currículo recomendado, o currículo implementado e o alcançado. Pelo currículo recomendado entende-se aquele planejado em nível nacional, regional ou local pelos comitês e consultores de currículo e codificados nos guias de currículo. O currículo implementado é aquele contido nos vários textos e materiais selecionados e aprovados para a utilização das escolas, material de apoio, que auxilia na exposição da matéria dada, e a forma como são comunicados aos alunos pelos professores nas salas de aula. O currículo alcançado é aquele aprendido e assimilado pelos alunos, ou seja, os resultados obtidos pelos alunos.
Com essa organização, busca-se o alcance dos objetivos educacionais, que em última instância, levam à formação da cidadania (OLIVEIRA, 2002).
Porém esse currículo deve respeitar e afinar-se as limitações organizacionais de classe, da escola e da cultura, e essas limitações modelam em grande parte direcionando o processo de ensino - aprendizagem, mas não determinam completamente como os professores devem ensinar, adaptando-se a essas limitações organizacionais, os professores inventaram uma pedagogia prática que é planejada para corresponder às suas convicções e à prática da sala de aula bem como as necessidades da classe e de cada aluno em especial (OLIVEIRA, 2002).

Toda escola deve obedecer a uma orientação pedagógica que segundo Oliveira (2002) deve estar fundamentada nos seguintes aspectos:

- respeitar a identidade cultural do aluno;
- a apropriação, seleção e produção de conhecimentos relevantes e significativos para o aluno, a fim de reforçar a capacidade crítica, na perspectiva de compreensão e transformação da realidade social;
- a mudança da compreensão do que é ensinar e aprender;
- o estímulo e incentivo à curiosidade e criatividade do aluno;
- a democratização e humanização das relações na escola visando a igualdade de direitos;
- o desenvolvimento do trabalho coletivo na escola;
- o resgate da identidade do educador;
- a interação comunidade-famíllia-escola como espaço de valorização e recriação da cultura popular bem como fortalecimento das forças da educação.

Seguindo esses tópicos o conjunto escola/professor poderá promover um aprendizado significativo, ligado à realidade, capaz de superar as dificuldades e as diferenças e favorecerá uma construção do conhecimento centrada no educando e na formação de um cidadão mais ligado a ações sociais.
No contexto da educação especial Mantoan (2001), define como objetivos de currículos baseados nas diferenças em favor da educação inclusiva:

→ ajudar as crianças a desenvolver identidades positivas de gênero, raça, cultura, de classe e individual, reconhecer e aceitar sua participação como membros de muitos grupos diferentes e reforçar a interação positiva das diferenças;
→ capacitar crianças a se enxergarem como parte e participantes da sociedade mais ampla; identifica-se e relacionar-se com pessoas de outros grupos;
→ estimular o respeito e a apreciação pelas diversas maneiras de viver de outras pessoas, estimular a convivência e o bem viver com as diferenças;
→ encorajar, nos primeiros relacionamentos sociais das crianças pequenas, uma abertura e um interesse nos outros, uma disposição para incluir os outros e um desejo de cooperação;
→ promover o desenvolvimento de uma consistência realista despojada de preconceitos, da sociedade contemporânea, um sentido de responsabilidade social e um interesse ativo que se estenda além da família ou do grupo da própria pessoa;
→ capacitar as crianças para se tornarem analistas, críticos e ativistas autônomas e críticas em seus ambientes sociais;
→ apoiar o desenvolvimento de habilidades educacionais e sociais necessárias para que as crianças se tornem participantes plenas da sociedade mais ampla, de maneira adequada aos estilos, às orientações culturais e à origem lingüística individuais;
→ promover relacionamentos recíprocos entre escolas e famílias, a partir da interação desses dois pólos, a educação se dá com maior facilidade.

De acordo com a LDB em seu art.32, o objetivo do ensino é a formação básica do cidadão, mediante:

I – o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno desenvolvimento da leitura, da escrita e do cálculo;
II – a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III – o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV – o desenvolvimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
É de extrema importância ressaltar que a escola, para a maioria das crianças brasileiras, é o único espaço de acesso aos conhecimentos universais e sistematizados, ou seja, é a instituição que vai lhe proporcionar meios de se desenvolver e de se tornar um cidadão crítico, capacitado e competitivo, alguém com identidade social e cultural.
Melhorar as condições da escola, é formar gerações mais preparadas para viver a vida na sua plenitude, livremente, sem preconceitos, sem barreira (MANTOAN, 2001, p. 51).

5- O PROFESSOR NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Atualmente, a discussão sobre a construção de uma sociedade que respeite os direitos humanos e, portanto, seja inclusiva, vem ganhando força e conquistando espaço. Um novo paradigma está sendo construído, decorrente da necessidade de tornar a sociedade mais justa e igualitária, essa necessidade abriu as portas para a educação inclusiva . A educação, neste contexto, vem respeitando as diferenças culturais, sociais, físicas, religiosas, raciais e as necessidades especiais de aprendizagem individuais de cada aluno (CRISTINA, 2007).
A política de educação inclusiva consolidou-se a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, Lei nº 9394 de 1996), que, no artigo 58, estabelece que a educação especial deve ser oferecida no ensino regular para os alunos com necessidades educacionais especiais. No artigo 59, estabelece a reorganização social para atendimento das pessoas com igualdade, nas mais complexas e diversas diferenças, físicas ou cognitivas.
A inclusão é a aceitação de todos e de todas as diversidades na sala de aula, mas isso só ocorrerá mediante sua reestruturação cultural, pedagógica e administrativa. O movimento atual da educação inclusiva tem suas bases na formação integral do ser, mediante o pleno exercício da cidadania dentro da diversidade social na qual estamos inseridos. Sua proposta baseia-se na luta pela igualdade de oportunidades para as minorias, na busca de seus direitos enquanto seres humanos e cidadãos. (CRISTINA, 2007)
Todo o aparato legal de inclusão proporcionou grande impacto no meio escolar, provocando mudanças nas instituições, entre pais, alunos, diretores, coordenadores, professores e funcionários em geral, e também muitas dúvidas quanto à sua compreensão e implementação e manutenção. Antigos preconceitos, valores, velhos paradigmas e resistências ocultam essa inovação necessária, tanto na dimensão pedagógica, cultural, social quanto humanitária.
A educação deve estar solidificada em conceitos onde os alunos façam parte da vida escolar e comunitária, em que a diversidade seja reconhecida, aceita e respeitada em todas as suas dimensões, visando assim à efetivação da aprendizagem e promovendo o sucesso escolar de todos os alunos sejam eles alunos portadores de deficiências, dificuldades relacionais, ou não.
Sobre a questão da educação inclusiva e seus benefícios, Mantoan (1997, p. 8) assim se expressa:

“............De certo que a inclusão se concilia com uma educação para todos e com um ensino especializado no aluno, mas não se consegue implantar uma opção de inserção tão revolucionária sem enfrentar um desafio ainda maior: o que recai sobre o fator humano. Os recursos físicos e os meios materiais para a efetivação de um processo escolar de qualidade cedem sua prioridade ao desenvolvimento de novas atitudes e formas de interação, na escola, exigindo mudanças no relacionamento pessoal e social e na maneira de se efetivar os processos de ensino e aprendizagem: inclusão!.....”

Capellini (2001), afirma que a educação inclusiva não se limita em incluir a todos, mas julga que há necessidade de enfatizar, na educação inclusiva, os estudos sobre o tema para garantir uma melhoria da qualidade da formação dos profissionais da educação (inicial e continuada), juntamente com uma revisão do papel político-social da escola, juntamente com a provisão e previsão de recursos, parcerias com a família e a comunidade a fim de se garantir que a inclusão não seja apenas teórica.
Para a consolidação e garantia da educação inclusiva, é necessária uma formação, inicial direcionada e continuada, que possibilite ao professor articular o estudo ao repensar e ao re-significar sua prática pedagógica, com condições para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de pesquisas, e preciso que o professor tenha vontade e disposição para se aprofundar no assunto, construir novos saberes alinhando a os princípios da educação contemporânea às necessidades da educação inclusiva a fim de contribuírem para a formação de cidadãos críticos e participantes, cientes de seus deveres e capazes de escolher adequadamente seus caminhos e modificarem suas realidades. Educar não é reproduzir conhecimentos, mas proporcionar o crescimento e a capacitação, respeitando as diversidades e diferenças e valorizando o outro com igualdade (CRISTINA, 2007).
Entretanto, para assegurar uma educação de qualidade é fundamental que os educadores sejam apoiados por projetos sociais que os ajudem a desenvolver uma prática pedagógica que transforme a realidade da escola, onde a diferença não signifique desvantagem mas que proporcione crescimento coletivo. A inclusão coloca aos sistemas de ensino, o desafio de orientar a comunidade escolar bem como às famílias, na organização de um ambiente de aprendizagem adequado e propício à autonomia e independência, que promova o desenvolvimento pleno das potencialidades, gerando uma confiança nas capacidades individuais de cada aluno incluído (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO).

6- A ESCOLA E A INCLUSÃO

Há pouco mais de uma década, crianças com necessidades educacionais especiais eram geralmente consideradas “casos perdidos”. Na maioria das vezes, discriminadas pela própria família e pela sociedade, ficavam fechadas em casa a mercê de programas assistenciais que lhes garantiam o mínimo para a sobrevivência, taxadas como incapazes, isoladas, não tinham espaço e que deveriam ficar isoladas sem nunca pisarem numa sala de aula. “Casos perdidos” pareciam ser também aquelas crianças e adolescentes com histórico de fracasso escolar, marcadas por repetência, ou as rotuladas como o “terror” da escola devido ao comportamento agressivo, aos negros e homossexuais que sofriam preconceitos e discriminação. Para elas, a saída para o futuro era a da segregação. Mas algumas iniciativas e o esforço de profissionais demonstram que é possível, sim, mudar o presente de crianças excluídas e lhes dar um futuro mais feliz e promissor. Esse quadro de resgate passa inapelavelmente pela escola, principalmente a escola pública, que acolhe a maior parte da população em idade educacional que, no bojo de toda uma transformação de mentalidades no fim do século 20, busca se tornar mais inclusiva e garantir a todos o direito de ser educado. Em vez de exigir que os alunos se adaptem a ela, a escola hoje se vê diante da necessidade de adaptar-se para acolhê-los em sua diversidade e suas necessidades específicas, pois a nenhuma criança pode ser negado o direito à educação, independentemente de problemas físicos, mentais ou emocionais (CLÁUDIA, 2007).
De acordo com Prof. Dr. Marcos (2007), diante de "necessidades educacionais especiais", a educação escolar deve responder com situações de ensino-aprendizagem adequadas a atender a todas as necessidades educacionais e que por essa característica se torna diferentes das organizadas usualmente para a grande maioria dos educandos, ou seja, das situações comuns de ensino ou ensino regular.
Atualmente se reconhece que a integração é benéfica para toda a comunidade escolar em igual valor. (Cláudia 2007). A inclusão e integração são processos essenciais à vida humana e à vida em sociedade, é através da inclusão quer se aprende a conviver sem distinção com os diferentes (Prof. Dr. Marcos 2007).
Ela está prevista no Artigo 208 da Constituição, no Artigo 54 do Estatuto da Criança e do Adolescente e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996. O movimento foi reforçado pela Conferência Mundial de Educação Especial de 1994, que resultou na DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. (CLAÚDIA, 2007).

TRECHOS DA DECLARAÇÃO DE SALAMANCA (UNESCO, 1994)

Tradução: Romeu Kazumi Sassaki, 1997.

Educação inclusiva: Capacitar escolas comuns para atender todos os alunos,especialmente aqueles que têm necessidades especiais.
Princípio da inclusão: Reconhecimento da necessidade de se caminhar rumo à “escola para todos” - um lugar que inclua todos os alunos, celebre a diferença, apoie a aprendizagem e responda às necessidades individuais.
Toda pessoa tem o direito fundamental à educação e a ela deve ser dada a oportunidade de atingir e manter um nível aceitável de aprendizagem.
Todo aluno possui características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que são singulares. Os sistemas educacionais devem ser projetados e os programas educativos implementados de tal forma a considerar a ampla diversidade dessas características e necessidades.
As escolas devem acomodar todos os alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras. O desafio para uma escola inclusiva é o de desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, uma pedagogia capaz de educar com sucesso todos os alunos, incluindo aqueles com deficiências severas.
0 princípio fundamental da escola inclusiva consiste em que todas as pessoas devem aprender juntas, onde quer que isto seja possível, não importam quais dificuldades ou diferenças elas possam ter. Escolas inclusivas precisam reconhecer e responder às necessidades diversificadas de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, mudanças organizacionais, estratégias de ensino, uso de recursos e parcerias com suas comunidades.
Os currículos devem ser adaptados às necessidades dos alunos e não o inverso. As escolas devem, portanto, oferecer oportunidades curriculares que se adaptem a alunos com diferentes interesses e capacidades.

A fim de acompanhar o progresso de cada aluno, os procedimentos de avaliação devem ser revistos.
Aos alunos com necessidades educacionais especiais devem ser oferecidas diferentes formas de apoio, desde uma ajuda mínima em classes comuns até programas adicionais de apoio à aprendizagem na escola, bem como a assistência de professores especialistas e de equipe de apoio externo*.

A inclusão social e educacional é hoje assunto de direitos humanos, de tratados e discussões, que propõem uma educação que satisfaça às necessidades básicas de aprendizagem, que atenda a todos no desenvolvimento pleno das potencialidades ,que possibilite a melhoria da qualidade de vida e do conhecimento e a participação na transformação cultural e ativa da sociedade. Freqüentar a escola, ter acesso a um ensino de qualidade, participar das atividades junto com a comunidade escolar é um direito de todas as pessoas e deve ser assegurado pelo Estado. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2006).
Entretanto, para garantir o direito de igualdade, a escola, frente às necessidades e ao novo cenário da inclusão social, deve atuar conjuntamente com a família, a comunidade e a instituição especializada, e seu papel deve ir além da transmissão de conhecimentos, que sem uma capacitação e uma preparação para uma vida ativa não alcançaria os objetivos estimados que atuam na promoção da transformação/inclusão almejada.
O envolvimento da família no processo educativo-inclusivo-escolar, fazendo escolhas, tomando decisões em conjunto e dividindo responsabilidades, é imprescindível e de fundamental importância. Uma escola aberta à família e uma família envolvida responsavelmente na vida escolar de seu filho instituem uma forte parceria na qual todos ganham: os pais adquirem competências para auxiliar o filho e passam a vislumbrar um futuro digno para seus filhos, os professores sentem-se mais seguros e apoiados, passam a conhecer o universo cultural do aluno e a compreendê-lo melhor; e o aluno se sente mais acolhido, ativo, reconhecido e seguro, com maiores chances na
* Trechos da Declaração de Salamanca UNESCO, 1994, traduzido por Romeu Kazumi Sassaki, 1997.
construção do conhecimento intelectual e crítico e na participação efetiva da vida escolar e social.
A escola é um espaço responsável pela educação formal, onde ocorrem várias trocas entre os alunos, entre estes e os professores, entre a família e a comunidade escolar e entre as diferentes famílias.
A escola precisa educar para a diversidade, para a formação de um ser humano multi-cultural, capaz de ouvir, analisar, de prestar atenção ao diferente e respeitá-lo. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2006).
Entretanto, segundo Elizabeth (2007), os profissionais que se dedicam a educação especial enfrentam muitas dificuldades advindas das limitações de recursos bem como adaptações nas escolas, falta de materiais e recursos didáticos que viabilizam e facilitam o processo de aprendizagem, entre outros, e se deparam com o desafio de re-significar as pressões marcadas pela excepcionalidade, na direção da reconstrução da imagem da instituição, redimensionando os papéis de professor/ensinante responsável pela formação de alunos/aprendentes e capacitados para o convívio social deixando de ser um uma pessoa com deficiência apenas para ser mais um cidadão com direitos e capacidades iguais. Neste sentido, as concepções sobre educação especial ainda estão em construção e precisam continuar sendo revistas, adaptadas, asseguradas e incorporadas ao desafio de refletir sobre o lugar da escola especial como grande responsável pela formação de cidadãos com capacidades de desafiar e vencer as suas limitações, capacitando-os a uma vida com condições iguais às pessoas sem deficiência. O pré-suposto é pensar que existência da deficiência que rotula o aluno impede ou não que ele enfrente o desafio de desenvolver suas possibilidades de aprender, é partindo do princípio da inclusão e do respeito pelas diferenças que se poderá capacitar esses alunos para o enfrentamento de suas diferenças . Como desafia-lo? Capacitar os professores é o primeiro e mais importante passo a se dar rumo a inclusão, garantir recursos didáticos e instalações adequadas a fim de garantir que todos os alunos tenham acesso assegurado à educação. Os professores entretanto, devem estar engajados nessa missão e descobrir uma nova forma de ensinar incluindo todos, pois quem pode ensinar o que esses alunos podem aprender são os professores, descobrindo como aprendem, possibilitando então, possíveis surpresas a todos nós.

7- PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS ESCOLAS INCLUSIVAS


Adaptação de Romeu Kazumi Sassaki, 1997.


1. Um senso de pertencer
Filosofia e visão de que todas as crianças pertencem à escola e à comunidade e de que podem aprender juntos.
2. Liderança
O diretor envolve-se ativamente com a escola toda no provimento de estratégias.
3. Padrão de excelência
Os altos resultados educacionais refletem as necessidades individuais dos alunos.
4. Colaboração e cooperação
Envolvimento de alunos em estratégias de apoio mútuo (ensino de iguais, sistema de companheiro, aprendizado cooperativo, ensino em equipe, co-ensino, equipe de assistência aluno-professor etc.).
5. Novos papéis o responsabilidades
Os professores falam menos e assessoram mais, psicólogos atuam mais junto aos professores nas salas de aula, todo o pessoal da escola faz parte do processo de aprendizagem.
6. Parceria com os pais
Os pais são parceiros igualmente essenciais na educação de seus filhos.
7. Acessibilidade
Todos os ambientes físicos são tornados acessíveis e, quando necessário, é oferecida tecnologia assistiva.
8. Ambientes flexíveis de aprendizagem
Espera-se que os alunos se promovam de acordo com o estilo e ritmo individual de aprendizagem e não de uma única maneira para todos.
9. Estratégias baseadas em pesquisas
Aprendizado cooperativo, adaptação curricular, ensino de iguais, instrução direta, ensino recíproco, treinamento em habilidades sociais, instrução assistida por computador, treinamento em habilidades de estudar etc.
10. Novas formas de avaliação escolar
Dependendo cada vez menos de testes padronizados, a escola usa novas formas para avaliar o progresso de cada aluno rumo aos respectivos objetivos.
11. Desenvolvimento profissional continuado
Aos professores são oferecidos cursos de aperfeiçoamentos contínuos visando a melhoria de seus conhecimentos e habilidades para melhor educarem seus alunos.

Segundo Mantoan (2003 p. 59-67), para atingir esses objetivos que agrupados formam uma escola aberta a todos é preciso enfrentar muitas frentes de trabalho, cujas tarefas fundamentais são:

► remodelar e recriar um novo modelo educativo escolar, tendo em vista a garantia da educação para todos – a inclusão deve ser feita em amplo aspecto, para tanto deve-se recriar um modelo educacional que possibilite o acesso de todas á escola e á educação.
Tabela adaptada por Romeu Kazumi Sassaki, em 1997.

As escolas precisam reconhecer e valorizar as diferenças e para isso precisam ter projetos inclusivos de educação, deixando de lado o antigo padrão educacional e se adaptando a um padrão de inclusão que atenda às diferentes necessidades dos alunos que não conseguem acompanhar seus colegas de turma, por problemas que vão desde as deficiências físicas até outras dificuldades de natureza relacional, motivacional ou cultural dos alunos.
► reorganização pedagógica das escolas, proporcionando um ambiente favorável a inclusão, abrindo espaços para que a cooperação, o diálogo, a solidariedade, a criatividade e o espírito crítico sejam exercitados nas escolas, por professores, administradores, funcionários e alunos, essas são habilidades mínimas para o exercício da inclusão e da verdadeira cidadania – a reorganização das escolas depende de muitas ações conjuntas que estão centradas no projeto político-pedagógico que visa a garantia da educação a todos.
► garantir aos alunos, ambiente adequado, tempo, liberdade e condições para aprender, bem como um ensino que não segrega;
► capacitar, formar, aprimorar continuamente e proporcionar condições favoráveis de trabalho e valorizar o professor, para que tenha estímulo para ensinar a todos, sem diferenciações, preconceitos, exclusões e exceções.
Entretanto faz importante ressaltar que dentro de uma visão de educação inclusiva, o ensino individualizado/diferenciado para os alunos que apresentam déficits intelectuais e problemas de aprendizagem é uma solução que não corresponde aos princípios inclusivos, pois não podemos diferenciar um aluno pela sua deficiência. Na visão inclusiva, o ensino diferenciado continua segregando e discriminando os alunos dentro e fora das salas de aulas, incluir é tão somente, um princípio de igualdade, não prevendo em sua abordagem a utilização de práticas de ensino escolar específicas para esta ou aquela deficiência e/ ou dificuldade de aprendizagem. Cada aluno tem suas limitações tendo ele deficiência ou não, e cabe ao professor explorar e introduzir conhecimentos dentro do limite de capacidade de cada um aluno, se o professor garantir a qualidade do ensino ele conseguirá conduzir a turma cumprindo seu cronograma dentro das capacidades de cada aluno. Não se trata de uma aceitação passiva do desempenho escolar, e sim de agirmos com realismo e coerência e admitirmos que as escolas existem para formar as novas gerações e não apenas alguns de seus futuros membros, os mais capacitados os que não necessitam de serem incluídos e os privilegiados. É esse o grande desafio a ser enfrentado quando nos propomos a reorganizar as escolas e torná-las ativas nas práticas inclusivas – a garantia de direitos iguais a todos. MANTOAN (2003).


8- A FAMÍLIA E O CONTEXTO DA INCLUSÃO SOCIAL


É indiscutível a importância da família no desenvolvimento de crianças/adolescentes. A família é o berço, o núcleo social básico e as relações aí estabelecidas vão depender as relações interpessoais de seus integrantes e de toda dinâmica que envolve esse relacionamento familiar. Nas ações educacionais, as experiências da vida familiar são uma constante e estão sempre presentes, agindo positiva ou negativamente, podendo auxiliar ou dificultar o processo educacional dos alunos. O que a pessoa é depende de como são estabelecidas as relações familiares e de sua dinâmica, as quais sempre estarão refletidas no decorrer de sua vida (LIMA, MAIA, DISTLER, 1999).
O reconhecimento da importância da família para o processo educacional se explicita em vários artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Nº 9.394/96), que estabelecem a incumbência das instituições de ensino e de seus docentes se articularem com as famílias, tornando-a participativa e responsável por uma parcela do desenvolvimento educacional dos alunos , visando integrá-las à escola, e auxiliando no fortalecimento dos vínculos familiares (SOUZA E SILVA, 1997).
A aproximação, a parceria e o trabalho em conjunto entre família e escola, na perspectiva da Declaração Mundial de Educação para Todos, é discutida por Santos (1999). Para a autora, a escola e a família precisam estabelecer uma relação de confiança, cumplicidade e reciprocidade, onde a família participe ativamente e de forma direta no processo educacional de seus filhos, ajudando-os a aprender; e a escola troque informações constantemente com a família, a fim de conhecer melhor a criança, para assim respeitar e atender seus desejos, bem como atender suas necessidades ajudando-a a em sua educação informando, trabalhando e desenvolvendo suas aptidões , simultaneamente.
No caso específico do atendimento educacional a alunos com necessidades educativas especiais, a Declaração de Salamanca (Brasil, 1994, p. 2), documento internacional que orienta a política nacional brasileira, congrega a todos os governos “encorajarem e facilitarem” (p.2) a participação dos pais no planejamento e tomada de decisões nos serviços especializados, estabelecendo, com eles, uma verdadeira parceria.
A participação da família na escola leva os educadores a olhar a educação sob outro prisma e re-estruturarem seu trabalho e o ambiente da sala de aula, a fim de favorecerem uma parceria de trabalho integrado.A participação dos pais na comunidade escolar facilita o trabalho do professor que se sente mais seguro e menos solitário na educação das crianças, sentem-se mais autônomos na tomada de decisões, e tem maiores possibilidades de conhecer seus alunos, suas necessidades e anseios e o mesmo passa a trabalhar mais afinado na educação dos alunos, melhora o ambiente da escola, diminui o índice de ausência dos alunos e melhora seu desempenho.
Para José (2007), a família e a escola são instituições sociais que acolhem pessoas a partir do nascimento e da infância que perduram por muitos anos, e se responsabilizam por sua educação e inserção em outras instituições e por todas as relações sociais que terão em sua vida fora desses núcleos.
Os pais têm uma importância fundamental no processo de aprendizagem dos filhos

“Ao contrário do que se pensa, o principal papel não é o acompanhamento dos deveres e atividades propostos para casa. A maior contribuição deles é ajudá-los a ter uma relação positiva com o estudo e com a escola. É também acompanhar com discernimento as observações sobre os filhos, sem falsas impressões, mas também sem submissão (BRASIL/MEC/FUNDESCOLA, 2003)”.
Enfim, o crescimento do aluno na escola deve ser responsabilidade conjunta, entre pais, escola e dos próprios alunos, que devem se sentir ativos, capazes, participativos e pertencentes à escola e, assim, ter uma atuação pró-ativa e construtora deste espaço vital para o seu desenvolvimento.


9- ATITUDES INCLUSIVAS FUNDAMENTAIS EM EDUCAÇÃO


De acordo com Libâneo (2003), processo de inclusão de alunos especiais, no Brasil, teve início antes mesmo da capacitação dos professores, o que tem gerado um certo descompasso no processo inclusivo e um desconforto para os mesmos por se sentirem despreparados para lidar com essas dificuldades educativas entretanto;


Todo educador comprometido com a filosofia da inclusão......

o ... está mais envolvido no processo educativo e interessado naquilo que o aluno deseja aprender do que em rótulos sobre ele;
o ... respeita e trabalha o potencial de cada aluno e aceita todos os estudantes igualmente sem distinção;
o ... adota urna abordagem e uma didática próprias, que propicia e ajuda na solução de problemas, dificuldades e limitações;
o ... acredita que todos os educandos são capazes e conseguem desenvolver suas habilidades, uma vez que todos as têm;
o ... estimula os educandos a direcionarem seu aprendizado de modo a aumentar sua autoconfiança e auto estima, a fim de poderem participar mais plenamente na sociedade, a usar mais o seu poder pessoal e a desafiar a sociedade para a mudança;
o ... acredita nos alunos e em sua capacidade de evoluir, de se desenvolver e aprender;
o ... deseja primeiro conhecer e conquistar a confiança do aluno para com isso, aumentar a sua autoconfiança ;
o ... acredita que as metas podem ser estabelecidas e que, para atingí-Ias pequenos passos fazem a diferença são úteis e inprescindíveis;
o ... defende o princípio de que todas as pessoas devem ser incluídas em escolas comuns da comunidade e que as mesmas tem devem acolher a todos;
o ... sabe que ele precisa prover suportes (acessibilidade arquitetônica, atendentes pessoais, profissionais de ajuda, horários flexíveis etc.) a fim de incluir todos os alunos;
o ... está preparado, com uma sensibilidade especial e com conhecimentos suficientes para indicar recursos adequados a cada necessidade dos alunos, tais como: livros, entidades, aparelhos;
o ... sabe que a aprendizagem deve estar baseada nas metas do aluno, e que cada aluno será capaz de escolher métodos e materiais para aprender as lições;
o ... mantém-se informado a cerca de informações necessárias sobre recursos externos à escola e intermedeia a conexão com pessoas e entidades que possam ajudar o aluno na comunidade;
o ... estimula outras pessoas importantes na vida, bem como a família ou o responsável do aluno a se envolverem com o processo educativo;
o ... é flexível nos métodos de avaliação uma vez que conhece as limitações de cada aluno, pois sabe que os testes, provas e exames provocam medo e ansiedade nos alunos;
o ... utiliza as experiências de vida do próprio aluno como fator
motivador da aprendizagem dele e se transforma em um agente auxiliar no crescimento do mesmo;
o ... indaga primeiro o aluno deficiente se ele quer partilhar dados sobre sua deficiência a fim de nunca o submeter a situações de constrangimento e só em caso afirmativo passa essa informação para outras pessoas;
o ... é um bom ouvinte para que os alunos possam falar sobre a realidade da vida que levam e sobre suas aspirações, tornando-se incentivador e apoio para que haja uma mudança;
o ... adota a abordagem centrada no aluno para isso precisa ser conhecedor de cada um de seus alunos bem como da realidade que cada aluno está inserido e ajuda os estudantes a desenvolverem habilidades para o uso do poder pessoal no processo de mudança individual e da sociedade(KAZUMI, 1998).


10- AVALIAR, INCLUIR PARA EDUCAR

O crescimento e o sucesso de alunos com deficiência, pode ficar comprometido pela falta de recursos e soluções que os auxiliem e os motivem na superação de dificuldades funcionais no ambiente da sala de aula e fora dele.(ELIZABET, 2007).
Prof. Dr. Marcos, afirma que, a educação dos alunos com necessidades educacionais especiais, precisa ter os mesmos objetivos e dedicação da educação de qualquer cidadão. Algumas modificações são necessárias na organização e no funcionamento da educação escolar para que os alunos com necessidades especiais usufruam dos recursos escolares de que necessitam para o alcance daqueles objetivos.
Na educação especial é preciso lançar mão de didáticas auxiliares aos serviços educacionais que são planejados e desenvolvidos para assegurar respostas competentes por parte do sistema e da unidade escolar que tem o compromisso social da inclusão e o dever de garantir uma educação efetiva para todos. As necessidades educacionais especiais são definidas e identificadas na relação concreta entre o educando e a educação escolar. Na dinâmica inclusiva, os recursos educacionais especiais requeridos pela situação de ensino-aprendizagem é que se configuram como Educação Especial e não devem ser reduzidos a uma ou outra modalidade administrativo pedagógica como classe especial ou escola especial deve ser muito mais que isso, a Educação Especial é uma educação democrática, igualitária que visa o respeito e garantia de uma vida digna sem segregação.
Outro aspecto relevante diz respeito à identificação das necessidades educacionais como especiais e as conseqüentes decisões e orientações sobre o atendimento dos alunos que as apresentem bem como o preparo do professor para bem desenvolver sua função de educador diante das diferenças. Tais atividades requerem a avaliação criteriosa por parte dos profissionais envolvidos que bem preparados saberão qual a melhor prática a ser utilizada, bem como da família de cada aluno. Bom citar que grande parte das necessidades educacionais, mesmo dos alunos portadores de deficiências, poderão ser atendidas apropriadamente, sem o concurso de ações e recursos especiais, na própria escola comum com os recursos regulares. Todavia, a presença de necessidades educacionais especiais, cujo atendimento esteja além das condições, possibilidades e conhecimentos dos professores e dos demais recursos escolares comuns e disponíveis, demandará a provisão de auxílios e serviços educacionais propiciados por professores especialmente preparados para atendê-las a fim de assegurar a inclusão. Por outro lado, as necessidades educacionais especiais são, às vezes, acompanhadas de necessidades especiais de outras ordens e que requerem também a intervenção da escola que não consegue agir sozinha, no sentido de encaminhar, orientar ou viabilizar o atendimento necessário e especializado, ainda que do âmbito social, médico ou outro, de forma indireta, cooperativa e integrada à educação escolar. Garantir a inclusão de todas as crianças e jovens numa escola comum de qualidade "especial", é fundamental que atitudes de respeito ao outro como cidadão sejam concretizadas em ações de reestruturação da escola atual com vistas a alcançar tal propósito.
É imprescindível e fundamental que sejam eliminados todos e quaisquer mecanismos e procedimentos dificultadores da integração e da inclusão de todos na escola pública e gratuita e que essa assegure a qualidade de ensino esperada pela sociedade, o que não implica a extinção sumária de serviços e auxílios especiais. Dentro de uma perspectiva inclusivista, as diferenças entre as necessidades educacionais especiais e as necessidades educacionais comuns com o tempo tendem a se tornarem cada vez menores até o ponto em que as necessidades singulares de cada educando possam ser percebidas, entendidas e atendidas pela escola comum. O que é preciso evitar, sempre que possível, é a segregação dos educandos pela simples má vontade, omissão, falta de aperfeiçoamento ou pelo desentendimento dos responsáveis pelo ensino comum. O sentido especial da educação especial ou não, consiste no amor e no respeito ao outro, que são as atitudes mediadoras da competência ou de sua busca para melhor favorecer o crescimento e desenvolvimento do outro (PROF. DR. MARCOS, 2007).


11- OS JOGOS E AS BRINCADEIRAS COMO RECURSOS FACILITADORES DA INCLUSÃO.


A brincadeira é a vida da criança e a forma mais gostosa para ela conhecer o ambiente, aprender, movimentar-se, ser independente, conhecer-se, reconhecer seu meio, suas forças e fraquezas, seus limites e limitações, desenvolver seu físico, sua mente, sua auto-estima, afetividade, criatividade, individualidade e coletividade.
Brincando, as crianças entram em contato com diferentes seres, cores, texturas, formas, tamanhos, sons, e conhecem tudo o que existe no ambiente.
Qualquer criança, independente de suas diferenças físicas, relacionais, sensoriais, intelectuais, sociais, econômicas e culturais, tem o direito e a necessidade vital de brincar, de vivenciar e trocar experiências lúdicas com o outro: a começar pelo núcleo familiar com seus pais, irmãos, em seqüência com colegas da escola, vizinhos e amigos, em ambiente familiar e ou comunitário positivo, com participação, companheirismo e real convivência de todos os membros. O brincar alegra e motiva as crianças, juntando-as e dando-lhes oportunidades de ficar felizes em um mundo próprio delas, trocar experiências, reconhecer as diferenças e ajudarem-se mutuamente: as que enxergam e as que não enxergam, as que escutam muito bem e aquelas que não escutam, as que correm muito depressa e as que não podem correr.
É brincando que as crianças aprendem a lidar com as diferenças: somos diferentes, gostamos de coisas diferentes vivemos em ambientes diferentes e passamos por situações diferentes, fazemos as coisas de modo diferente, necessitamos um tempo diferente para realiza-las, para crescermos e aprendemos de maneira diferente (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2006).
Os aspectos formativos e positivos como facilitadores da aprendizagem dos jogos foram inseridos tardiamente no universo escolar, visto que sempre foi considerado como uma tarefa desvinculada do trabalho de ensinar e aprender, sendo este o objetivo da escola, tendo relevância só seu aspecto que o liga a brincadeiras sem muito compromisso com a aprendizagem. Entretanto sabe-se que o jogo tem um papel importante nas relações entre brinquedo e trabalho na escola, pois torna concreta a idéia do aprender divertindo-se e desvincula o aprender com a dificuldade de aprender.
Em tempos atuais os estudiosos do assunto tentam equilibrar jogo e educação, para que o contexto formativo não seja superado pelo lúdico, sem que este perca suas características de liberdade, prazer e diversão, desvinculado do sentido de obrigação.
Para que se possa entender o papel do brinquedo como fator importante no desenvolvimento da criança é necessário que se acompanhe o desenvolvimento desde os primeiros meses do bebê, visto que é nesse período que desperta a necessidade de convivência com a fantasia para que possa reestruturar suas relações com o mundo e com o outro. Quando a criança passa a exercer papel social dentro da escola, muitas de suas experiências já vivenciadas voltam a cena e são novamente vivenciadas dentro das brincadeiras. A observação realizada identifica os objetivos educacionais, bem como, a relação das crianças entre si durante os jogos e brincadeiras.
Para a criança, a brincadeira é a melhor maneira de se comunicar, de interagir, um meio para perguntar e explicar e obter as respostas para suas dúvidas, um instrumento que ela tem para se relacionar com outra criança e com o mundo.
Além de proporcionar um espaço de descobertas e conhecimento sobre o mundo externo, é na brincadeira que a criança também pode conviver com seus sentimentos internos e se auto-descobrir. A presença da agressividade, portanto, não deve ser censurada; pelo contrário, é importante que seja preservado esse espaço para que a criança possa expressar seus sentimentos em momentos em que não está realmente zangada, pois embora possa haver conflitos entre o amor e o ódio, ela sabe que esse espaço é o da brincadeira e que pode terminar o jogo no momento que quiser entretanto, deve-se avaliar o grau de agressividade.
Enquanto o adulto interpreta o brinquedo como uma fuga dos problemas e da rotina desgastantes do dia a dia, onde ele relaxa e esquece das obrigações, a criança utiliza o brinquedo para experimentar o mundo, aguçar e saciar a curiosidade, testar seus conhecimentos, aprender a vivenciar, lidar e vencer seus medos, enfim, desenvolver-se criativamente para enfrentar novas situações que a interessem e a conviver com as frustrações.
A brincadeira é um espaço de aprendizagem onde a criança atua além do seu comportamento cotidiano e das crianças de sua idade e é na brincadeira que elas percebem que sua criatividade não tem limites. Na brincadeira, ela age como se fosse maior do que é, realizando simbolicamente o que mais tarde realizará na vida real.
O brinquedo ajuda a criança a descobrir-se como ser único, ativo e que merece atenção. Nas brincadeiras, também pode vivenciar momentos de perdas e vivenciar situações de frustrações, de medo e dor.entretanto, os sentimentos negativos não são bem compreendidos pelas crianças, exceto quando brincam, pois ali, na brincadeira não precisam sentir-se culpadas pelo medo ou raiva que guardam consigo.
O brinquedo as ajuda a elaborar e projetar papéis que terão de exercer no futuro. É uma invasão ao mundo dos adultos, mas com aspecto desinteressado que só a imaginação pode oferecer.
O brinquedo é instrumento que lhes possibilita a expressão da criatividade de seus sentimentos em relação ao mundo que as rodeia e que ainda não compreendem, embora vivam à todo momento.
Através dos jogos de regras, a criança cria condições de auto-superação onde suas limitações não existem ou diminuem, uma vez que a repetição provoca a segurança de que aprendeu o exercício, logo depois se sente capaz de explorar um novo exercício até conseguir dominá-lo e novamente expandir sua capacidade.
Ao estudar o brinquedo e os materiais pedagógicos, enquanto estruturadores do conhecimento e do saber, pode-se chegar a diversas conclusões. Brinquedos, jogos e materiais pedagógicos não trazem em seu contexto um conhecimento pronto e definido trazem ao contrário, diversas possibilidades e um conhecimento potencial que pode ou não ser descoberto pelo aluno entretanto podem ser descobertas novas formas de conseguir atingir o objetivo do jogo uma vez que cada um possui uma forma de elaborar estratégias, e também limitações que são individuais. Todo o material pedagógico não deve ser analisado, nem aplicado como algo igual para todos. É , na verdade , um recurso dinâmico que se altera em função do simbolismo, da interpretação individual e da imaginação de quem o utiliza. (PEDRO, 2007).
De acordo com pesquisas realizadas por Paulo, 2007, a utilização de jogos propicia:

· AUMENTO CONSIDERÁVEL DA ORALIDADE DOS ALUNOS:

· Influenciados pelas dinâmicas de grupo onde eram introduzidos os jogos, muitos foram os casos de crianças que elevaram consideravelmente seu vocabulário e suas manifestações orais junto aos colegas vencendo a timidez e a introspecção, não apenas em casos de crianças incluídas, mas também aquelas crianças que geralmente pouco se manifestam dentro da sala de aula. A timidez é diminuída com atividades lúdicas uma vez que os jogos aguçam as potencialidades de cada criança, deixando de lado os sentimentos de constrangimento, e propiciando um universo de igualdade.

· MAIOR CAPACIDADE DE CONCENTRAÇÃO:

· Uma das principais características do jogo e do brinquedo é uma melhor aceitação em sala de aula em relação a outros recursos metodológicos convencionais como: livros, quadro-negro, folhas mimeografadas, etc. O jogo permite fácil acesso às crianças e sua assimilação produz uma aprendizagem positiva pelas crianças, assim, a partir de um jogo, o tema no qual o professor deseja trabalhar, será melhor aceito pelos alunos, já que a concentração dos mesmos estará diretamente voltada ao assunto em questão e ao desafio proposto pela atividade. É importante, portanto, adequar os jogos aos conteúdos que estavam sendo apresentados aos alunos, servindo também como atividades de fixação.

· MAIOR COOPERAÇÃO ENTRE COLEGAS:

· Geralmente pelo fato de vivenciarmos uma realidade altamente competitiva, há uma realidade de competição e rivalidade entre alunos, gerando a exclusão, no entanto, com a aplicação dos jogos há uma transformação da realidade exclusiva para uma realidade inclusiva onde há mais interação entre os colegas e um maior sentimento de união, interação e igualdade.
Há que se tomar também o cuidado de adequar os nossos jogos a cada necessidade especial, para evitar constrangimento às crianças que, por exemplo, tivessem uma limitação que as impedisse de jogar conjuntamente ou em separado algum jogo específico.
Sabe-se que cada indivíduo, seja portador ou não de alguma necessidade especial, possui alguma dificuldade e limitações que se destaca em relação ao outro e que o impossibilita a realizar uma ou outra tarefa.
Através dos jogos devidamente selecionados conforme as necessidades dos alunos,pode-se obter resultados extremamente favoráveis, tanto a nível de desenvolvimento intelectual, como a nível de inclusão, pois através dos jogos todas as dificuldades podem ser trabalhadas e superadas, valorizando dessa forma a auto –estima dos alunos e suas capacidades.
Incluir, é um longo caminho a ser percorrido e transformar a sala de aula em um local aberto a ludicidade é uma tarefa bastante árdua, porém necessária, em vista da própria formação docente, das condições estruturais das instituições, da falta de recursos e da visão equivocada de que brinquedo é tudo menos coisa séria. É necessário que o jogo deixe de ser visto apenas como um recurso de emergência no final de uma aula conturbada para ocupar o seu papel principal: ser o eixo do processo inclusivo. (PEDRO, 2007).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de quase uma década de luta por direitos iguais, o processo de inclusão social e educacional no Brasil ainda engatinha.
É fácil falar em inclusão, difícil e pôr tantos conceitos em prática a fim de garantir que todos, sem distinção tenha todos os seus direitos assegurados na prática diária.
Incluir, é muito mais amplo que apenas levar uma criança a uma escola, incluir deve ser um ato de respeito e de amor, que imprescindivelmente deve começar em casa, no seio da família, quando uma criança especial nasce e deve ser tratada como igual. É no seio da família que ela vai ter garantia de crescer com sua auto-estima reforçada que a capacitará para a luta diária com a mesma força e competência que as outras crianças sem deficiência.
É preciso estimular todas as crianças especiais para que elas tenham suas aptidões trabalhadas e recebam estímulos positivos que as encorajem para uma vida social sem distanciamento das outras crianças, que possam ter uma vida tão normal quanto possível e que tenham capacidade para superar todos os obstáculos, fazendo das pedras que encontrarem pelo caminho desafios , não obstáculos.
É através dos reforços positivos, dos incentivos e de uma educação inclusiva justa, digna e igualitária que formaremos cidadãos capazes de vencer as diferenças.



ANEXOS

1- A EDUCAÇÃO INCLUSIVA.

1.1 O conceito de Inclusão
Conforme a SEESP - Secretaria de Educação Especial

A Inclusão é:
- atender aos estudantes portadores de necessidades especiais na vizinhança da sua residência;
- propiciar a ampliação do acesso destes alunos às classes comuns;
- propiciar aos professores da classe comum um suporte técnico;
- perceber que as crianças podem aprender juntas, embora tendo objetivos e processos diferentes;
- levar os professores a estabelecer formas criativas de atuação com as crianças portadoras de deficiências;
- propiciar um atendimento integrado ao professor de classe comum.

1.2 - O conceito de inclusão não é:

A inclusão não é:
- levar crianças às classes comuns sem o acompanhamento do professor especializado;
- ignorar as necessidades específicas da criança;
- fazer as crianças seguirem um processo único de desenvolvimento, ao mesmo tempo e para todas as idades;
- extinguir o atendimento de educação especial antes do tempo;
- esperar que os professores de classe regular ensinem as crianças portadoras de necessidades especiais sem um suporte técnico.
O processo de inclusão se refere a um processo educacional que visa estender ao máximo a capacidade da criança portadora de deficiência na escola e na classe regular. Envolve fornecer o suporte de serviços da área de Educação Especial através dos seus profissionais. A inclusão é um processo constante que precisa ser continuamente revisto.
A educação inclusiva é um processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade de alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.


1.3 - Objetivos específicos do programa de Educação inclusiva de 2003 pelo Ministério da Educação - Secretaria de Educação Especial.

Subsidiar filosófica e tecnicamente o processo de transformação do sistema educacional brasileiro em um sistema inclusivo;
Sensibilizar e envolver a sociedade em geral e a comunidade escolar em particular;
Preparar gestores e educadores dos Municípios-pólo para dar continuidade à política de Educação Inclusiva;
Preparar gestores e educadores para atuarem como multiplicadores nos Municípios de sua área de abrangência;
Desenvolver projetos de formação de gestores e educadores para dar continuidade ao processo de implementação de sistemas educacionais inclusivos;

De acordo com o programa de Educação Inclusiva são barreiras para o progresso do programa de inclusão: Atitudes negativas em relação à deficiência:

Invisibilidade na comunidade das crianças com deficiência que não freqüentam a escola
Custo
Acesso físico
Dimensão das turmas
Pobreza
Discriminação por gênero
Dependência (alto nível de dependência de algumas crianças com deficiência dos que as cuidam)

O movimento nacional que visa a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na escola de ensino regular representa o compromisso e o cumprimento das Leis previstas na Constituição Federal que visam o princípio da igualdade de direitos e oportunidades educacionais para todos.(Ministério da Educação 2006)
Desde a Constituição Federal de 1988 e durante a última década, nosso país registrou grandes avanços em relação à legislação, recomendações e diretrizes que asseguram os direitos sociais e a inclusão das pessoas com deficiência, na escola, no trabalho e na sociedade. Esses documentos, preconizam a inclusão, e propõem uma parceria onde a colaboração conjunta entre União, Estados e Municípios na implementação de ações intersetoriais que viabilizam uma educação voltada para o atendimento às necessidades educacionais especiais decorrentes ou não de deficiências fazem toda a diferença nos movimentos voltados à Inclusão Social e fortalecem os princípios da não segregação. Houve significativa evolução conceitual e recomendações aos sistemas de ensino para a necessidade de se organizarem, se estruturarem e elaborarem projetos pedagógicos que valorizem a participação efetiva da família, da comunidade escolar e das instituições especializadas para que atuam como suporte à escolarização realizadas pela rede regular de ensino a fim de que unindo forças e trabalhando conjuntamente, os resultados sejam otimizados. (Ministério da Educação)


Legislação que regulamenta a Educação Especial no Brasil

Em cumprimento à Constituição Federal de 1988, nos art. 205 e 206, que visa o pleno desenvolvimento da pessoa, o seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o trabalho. Para atendimento desses objetivos, o ensino deve ser ministrado com base nos seguintes princípios: (art. 206)
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V – valorização dos profissionais de ensino, garantindo, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurando regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União;
VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII – garantia de padrão de qualidade.
Lei nº 9394/96 –Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBN
Lei nº 9394/96 – LDBN - Educação Especial
Lei nº 8069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente - Educação Especial
Lei nº 8069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente
Lei nº 8859/94 - Estágio
Lei nº 10.098/94 – Acessibilidade
Lei nº 10.436/02 – Libras
Lei nº 7.853/89 - CORDE - Apoio às pessoas portadoras de deficiência
Lei n.º 8.899, de 29 de junho de 1994 - Passe Livre
Lei nº 9424 de 24 de dezembro de 1996 - FUNDEF
Lei nº 10.845, de 5 de março de 2004 - Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência
Lei nº 10.216 de 4 de junho de 2001 - Direitos e proteção às pessoas acometidas de transtorno mental
Plano Nacional de Educação - Educação Especial







Um comentário:

Lani disse...

Parabéns por sua página. O assunto é de suma importância e precisa de educadores comprometidos trabalhando em prol desta facção.
Vou indicar sua página para meus alunos e colegas professores.
Helaine